Série Bairros: Mangabeiras
Calmaria aos pés da Serra do Curral
Se Belo Horizonte tivesse um quintal suspenso, ele certamente seria o Mangabeiras. Localizado em uma das partes mais altas da capital, na região Centro-Sul, o bairro é um convite à contemplação, onde o clima ameno e a vista privilegiada da Serra do Curral ditam o ritmo de quem vive ou passeia por lá. Mas a história desse “refúgio urbano” é tão profunda quanto as crateras de mineração que outrora marcaram seu solo.
Das Pedras Preciosas às Mansões. Antes de ser o endereço de residências de alto padrão que vemos hoje, a região era puro cenário de exploração mineral. Em 1895, dois anos antes da inauguração de BH, a Pedreira do Acaba Mundo já operava na extração de pedras preciosas, contando até com uma linha de bonde para o transporte de materiais. Na década de 1950, o foco mudou para o minério de ferro na Serra do Curral.
A transição de área rural — a antiga Fazenda das Mangabeiras — para bairro residencial começou de fato na década de 1960, impulsionada pelo governo de Israel Pinheiro e pelo processo de expansão modernista iniciado por JK décadas antes. Oficialmente, o bairro foi criado pelo Decreto Municipal 2.317, em 16 de janeiro de 1973.
Onde a Natureza é Protagonista. O maior símbolo do bairro, o Parque das Mangabeiras, inaugurado em 1982, nasceu de uma ironia histórica: ele foi projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx como uma medida de recuperação ambiental em uma área degradada pela mineradora Ferrobel. Com 2,4 milhões de metros quadrados e 59 nascentes, o parque é hoje um dos maiores complexos urbanos de preservação da América Latina.
Ao lado dele, a Praça do Papa (originalmente Praça Israel Pinheiro) tornou-se o coração afetivo do bairro após a visita de João Paulo II em 1980, oferecendo um dos pores do sol mais icônicos de Beagá. Diga-se de passagem que moradores, e frequentadores do bairro estão órfãos, pois a praça enfrenta “obra eterna”. Segundo a prefeitura de BH, as intervenções devem ser concluídas no segundo semestre de 2026. Aguardemos.
Um Estilo de Vida Preservado. Caminhar pelas ruas do Mangabeiras, como a Avenida Agulhas Negras, traz a sensação de estar fora da metrópole. Até o final da década de 1970, o comércio era inexistente; os moradores compravam pão e leite trazidos por kombis e dependiam da Savassi. A Avenida Bandeirantes só foi concluída em 1979, tornando-se o eixo comercial que conhecemos hoje.