O Hotel Golden Tulip Belo Horizonte, promovido como o maior e mais luxuoso de Minas Gerais, ganhou um prêmio internacional em 2014, mas segue como uma torre de vidro abandonada no Centro da cidade, sem nunca ter aberto as portas. Desenvolvido pelo Grupo Multipar, o empreendimento foi eleito vencedor na categoria “Hotel Renovation/Refurbishment” do International Hotel & Property Awards em 2014, uma competição global que destaca os melhores hotéis do mundo. O projeto de retrofit, assinado pela Farkasvölgyi Arquitetura, transformava um arranha-céu inacabado dos anos 1990 em um 5-estrelas com 405 apartamentos de 40 m², suítes presidenciais e heliponto.
Lançamento Promissor
Lançado em 2011 pelos Vorcaro, via Grupo Multipar em parceria com RFM, Pacific Realty e M.Roscoe, o hotel visava a Copa do Mundo de 2014, com investimento de R$ 200 milhões e operação pela BHG. Henrique Moura Vorcaro, presidente do grupo, justificou o projeto pela falta de hotéis de alto padrão em BH, prometendo diárias de R$ 300-350 e ocupação de 73%. Metade das unidades seria vendida a investidores por R$ 460 mil cada.
Escândalos e Abandono
Mais de uma década depois, a estrutura na Av. Contorno com Rua Rio de Janeiro permanece vazia, sem alvará de funcionamento e com débitos municipais em cobrança. Notícias recentes de 2026 o chamam de “elefante de vidro”, ligado a escândalos dos Vorcaro, como delações de 2019 reveladas em fevereiro sobre propinas em fundos de pensão para financiar a obra, que parou sem hóspedes apesar de 95% de conclusão alegada. Sondado para hospital, segue sem uso social.
Defesa dos Vorcaro
A defesa de Henrique Vorcaro se pronunciou em resposta à Veja, negando envolvimento: “Nenhum membro da família Vorcaro foi denunciado pelos fatos mencionados. Benito Porcaro, único sócio denunciado, foi absolvido a pedido do MP. Nenhuma das demais pessoas foi indiciada”. Sobre o hotel, afirmaram: “A obra foi 95% concluída. Por questões de mercado pré e pós-pandemia, não foi inaugurado. Estamos analisando abertura com dois grupos incorporadores”.