Rio de Janeiro planeja ações para mitigar impactos do El Niño. E BH?

O anúncio de um plano de prevenção aos impactos do El Niño pela Prefeitura do Rio de Janeiro vai além de uma medida administrativa. É um exemplo de gestão pública que deveria inspirar outras capitais brasileiras, especialmente em um cenário de eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.

As ações apresentadas incluem o reforço do monitoramento meteorológico, protocolos de resposta rápida, preparação da Defesa Civil e integração entre diferentes órgãos municipais para reduzir os impactos de chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos e ondas de calor. A iniciativa busca preparar a cidade antes que os efeitos do fenômeno climático se intensifiquem.

No Brasil, ainda é comum que governos ajam apenas depois das tragédias. A cada verão, cenas de enchentes, deslizamentos e perdas humanas se repetem em diversas cidades. A prevenção, que deveria ser prioridade, muitas vezes acaba substituída por ações emergenciais, mais caras e menos eficazes.

O Rio de Janeiro, uma cidade historicamente vulnerável a eventos extremos, demonstra que é possível adotar uma postura preventiva. Independentemente de eventuais críticas sobre a execução do plano, o simples fato de estruturar uma estratégia antecipada representa um avanço importante na gestão de riscos.

Capitais como Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Salvador e Porto Alegre também enfrentam desafios climáticos específicos e poderiam fortalecer seus próprios planos de contingência, integrando monitoramento, infraestrutura, comunicação com a população e resposta rápida.

As mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação distante para se tornarem uma realidade cotidiana. Governar, hoje, significa também preparar as cidades para enfrentar seus efeitos. Nesse aspecto, a iniciativa carioca merece atenção e pode servir de referência para outras administrações municipais que ainda tratam a prevenção como um tema secundário. Afinal, diante da emergência climática, prevenir custa menos — em recursos públicos e, principalmente, em vidas.